COMO UMA PRAIA NO PARAÍSO PODE SER MÉDIA? QUESTÕES DE COPO CHEIO, VAZIO E A NOSSA FELICIDADE

“É apenas uma praia média. Sacos plástico boiando, comida mais ou menos, água muito quente. Você não perdeu nada não indo. Bem, foi legal poder atravessar caminhando de uma ilha à outra, e a gente fez um pouco de canoagem – mas foi isso. Dormir no barco deve ter sido bem melhor”.

Realmente, diversas vezes é melhor ser surdo. Ou não entender inglês.

Estamos no barco, após o almoço, retornando ao porto turístico de Halong. Na mesa ao lado, um irlandês falastrão descreve a experiência que teve no Nam Cat Resort para uma inglesa, pele quase rosada, olhos muito claros, cabelo arrumado, delineador, blush. A mesma, que, no primeiro dia do nosso tour, enquanto pulávamos na água para espantar o calor de 38°C do norte do Vietnam em fins de outubro, subia ao deck para tomar um cálice de vinho.

O irlandês continua discorrendo sobre quão ruim tinha sido o resort, e eu não consigo mais me desligar da conversa, então saio ao deck para – pela última vez – deixar a impressão daquelas rochas marcadas na memória.

Enquanto estava lá, sentindo a (pouca) brisa que vinha do mar, me questionava se tínhamos estado no mesmo lugar. Se havíamos mesmo conversado com aquele irlandês e seu amigo alemão, se tínhamos sentado na mesma mesa e ele nos contado sobre a sua viagem de moto pelo Vietnam, enquanto esperávamos o almoço chegar.

Parecia que havíamos ido a praias diferentes. Mas não, ele estava falando do mesmo pedaço de 10m de praia até bater no rochedo, onde um afortunado resolveu colocar cabanas de madeira e teto de palha, todas com vista para o mar – mesmo deitado na cama. Era o mesmo pedaço de praia com espreguiçadeiras de madeira sob os quiosques de palhinha, campo de futebol e vôlei de praia na beira do mar.

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Apenas um risco de praia em frente à baía de Cat Ba, com água verde transparente para todos os lados, e imensas colunas de pedra calcária fincadas no fundo do mar, como se um gigante as tivesse posto com as mãos.

Quando acordei do devaneio, certa de que sim, ele estava falando da mesma praia, tive vontade de voltar lá e tirar satisfação. Como assim? Em que mundo você vive, criatura? Lá na Irlanda tem alguma praia assim? Me leva, então! Por que você mente tão deslavadamente? É para tirar onda com a pobre senhora posuda, que perdeu a alegria há milênios atrás, e não sabe mais se divertir?

Deixei para lá. Quando chegarmos ao porto, não os verei mais – voltam ao frio ainda hoje, e nós seguimos para Tam Coc. Mesmo assim, não consegui me desprender daquela fala.

 

VIAGENS NÃO TEM ALTOS E BAIXOS – TUDO SÃO EXPERIÊNCIAS

Estamos para completar 2 meses na estrada – saímos do Brasil no dia 02 de setembro. Nesses dois meses, vimos um pouco de tudo já: luxo, ostentação, miséria, sujeira, deslumbramento, ganância, esperteza, amizade, ajuda. Se você somar todas as coisas, tomando-as como positivas e negativas, é possível que o resultado seja bom – mas uma viagem de conhecimento e autoconhecimento não tem altos e baixos.

Tem apenas experiências.

Já pegamos viagem de ônibus caquético por 9h dentro da China, e banheiro fedendo a ralo se tornou nosso companheiro mais frequente. Já sentei chorando num restaurante chinês porque tinha fome e simplesmente não conseguia me comunicar com a atendente – mesmo usando o Google Translate. Já vi menino fazer cocô no carpete, sua mãe recolher e depois passar uma escovinha mequetrefe – o mesmo carpete de onde a Sara no dia seguinte iria pegar a bola com as mãos. Já andamos por ruas mal iluminadas, no meio da noite, para pegar um barco capenga e ver a antiga pesca com cormorante, que deveria ser o ponto alto da viagem, mas foi apenas uma coisa estranha e quase assustadora.

Talvez tenha sido a profusão de experiências complicadas da China, o contraste entre o muito lindo e o muito difícil, o choque cultural, tudo o que você tem que superar de barreira para conseguir chegar do outro lado do seu sentimento e realmente gostar do que está vivendo.

Talvez tenha sido o fato de que pela primeira vez estávamos num tour guiado, sem ter que resolver cada etapa da nossa viagem, sem carga nenhuma de decisão nos ombros.

am cat resort halong bay cat ba praia paraíso
Am Cat Resort, em Cat Ba, no final de dois dias passeando pela Halong Bay, no Vietnam

Aquela praia, para mim, era a materialização do paraíso. O lugar para deixar tudo o de difícil para trás e desfrutar umas pequenas férias dentro do sabático. Para esquecer de suor, mosquitos, cheiro de ralo, comida estranha, música alta, hotel ruim e gente empurrando.

Quando retornei ao barco para voltar ao porto, estava em estado de êxtase, relaxada, feliz comigo e com o mundo por ter dado tudo certo e termos escolhido o passeio que incluía a noite na praia.

Até o momento fatídico em que o irlandês derramou o seu cinismo para a inglesa. E eu, que infelizmente nessas horas ouço, ouvi.

 

EU VEJO O COPO-CHEIO

Tudo isso me fez pensar sobre eu mesma. Sobre o ângulo em que vejo as coisas. Sobre o que decido pensar a respeito da cama em que durmo, do marido que tenho, da comida que me oferecem ou das paisagens que vejo.

Sou uma pessoa muito curiosa – não é de se admirar o nome do blog. Em viagem, sou capaz de pular todas as coisas ruins, fazer de conta que não vejo a sujeira (até um limite bem maior do que o Fernando, por exemplo), desconsiderar o cansaço e o calor, apenas porque há a promessa de algo surpreendente à frente.

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Sou muito calorenta e dependente total de ar condicionado – a não ser que haja uma placa apontando “suba” para uma encosta de montanha, numa trilha no meio das pedras subindo por trás de um templo vietnamita escondido numa cidadezinha do interior.

Neste caso, subo com as forças que tenho nas pernas para ver o que tem lá no alto: a curiosidade bate o calor, sempre. Suor pingando sobre as sobrancelhas, mas me sinto privilegiada por chegar ao alto e ver o mundo de cima. No caminho, milhares de garrafas plásticas dos turistas inconscientes de plantão, mas nem ligo. Sigo meu caminho e volto me sentido realizada.

Em viagem, vejo o copo-cheio um milhão de vezes. Estou plena, repleta de mim mesma, e tudo ao redor é excelente ou experiência para contar para os netos.

Contudo, nem sempre sou assim.

 

MAS EU VIVO VENDO O COPO-VAZIO

Há também dentro de mim o lado negro da força. A pessoa que não consegue enxergar o lado bom de uma situação. Aquela que quer apenas sair dali, nunca mais voltar.

Isso é muito claro quando vejo meus últimos 2 anos. Houve sim momentos de êxtase e muita alegria, momentos de gratidão, de reconhecimento, de realização, plenitude. Porém, de modo geral, foram 2 anos vendo o copo-vazio.

Lembro, reclamando com um amigo pela internet sobre as agruras do meu relacionamento com amado ex-colega mega-ansioso-nervoso-control-freak, de ele me dizer: ao menos aprendes a lidar com pessoa assim.

E eu apenas dizer: mas eu não quero aprender nada. Não aguento essa besta-fera. Foram dois anos deste sentimento dominante – tudo é ruim, não há aprendizado, não há crescimento.

Claramente isso não é verdade. À luz dos meses passados, em que os sentimentos se organizam e a mente encontra claridade, olho para trás e vejo que houve aprendizado e crescimento. A pessoa que entrou na empresa é diferente da que saiu.

Completamente? Não, ainda sou eu – mas as experiências nos mudam mais profundamente do que percebemos quando estamos dentro delas. O próprio fato de estarmos fazendo esta viagem longa, para os destinos mais desejados de toda a vida, é um dos frutos desta experiência do copo-vazio.

Se 2 anos de copo-vazio não tivessem passado pela minha vida, estaria talvez ainda na mesma vidinha, pagando financiamento de apartamento, subindo escadas até o 4º andar, indo à feira no sábado e comendo pastel, viajando umas 4 vezes ao ano para ver a família no Sul.

Nada de errado com a vidinha, porém a atual versão dela, em que exploramos cavernas a bordo de um barquinho navegado com os pés do remador, ou subimos os degraus da Grande Muralha e descemos de tobogã, não teria existido.

Mesmo assim, eu preferiria ter tido a capacidade – como alguns colegas – de ver o copo-cheio a respeito do control-freak.

Ele de fato estava ali para me ensinar uma lição, ou talvez até mais de uma. Enquanto eu me estressava, desgastava, perdia noites de sono com uma insônia maldita, pessoas ao meu redor, passando basicamente o mesmo que eu, simplesmente seguiam com a sua vida (felizes, talvez não – mas não quase morrendo, como eu parecia estar).

Qual teria sido a minha experiência se tivesse visto o copo-cheio naquela situação?

Impossível dizer agora. Talvez, mesmo vendo o copo-cheio todo o tempo, eu estivesse aqui, no segundo andar de um hotel no interior do Vietnam, escrevendo estas mesmas palavras.

De uma coisa, contudo, eu tenho certeza. Caso tivesse visto o copo-cheio todo o tempo, minha vida teria sido mais fácil, eu teria construído mais e melhor e minhas lembranças do período seriam mais agradáveis.

 

DENTRO DE MIM PARECE QUE HÁ DUAS PESSOAS

Mas de fato, o tema deste post não é lições aprendidas. A questão aqui é que dentro de mim parecem residir duas pessoas.

Uma, viajante, completamente capaz de enxergar o copo-cheio. De até perdoar um hotel que nos deixa sem ter onde dormir na madrugada de Beijing, após um voo de 7 horas.

E outra, amarga, que só vê o copo-vazio. Que é incapaz de sair da espiral de pensamentos negativos que destroem a capacidade de ver o lado bom da coisa.

Essas duas pessoas estão dentro de mim – e como eu não sou duas pessoas, ver o copo-cheio ou o copo-vazio é uma questão de escolha (consciente ou não).

 

VOCÊ ESCOLHE COMO OLHAR PARA CADA SITUAÇÃO

Se você pensar sobre si mesmo, perceberá que escolhe todos os dias sobre como olhar a sua vida. Se alguém lhe cede o lugar no ônibus, pode acolher a gentileza no coração e trazer um raio de felicidade para dentro de si, com o qual aquece o restante do dia – ou pode apenas bater de ombros, sentar, e não pensar mais naquilo.

Quando alguém lhe faz um elogio, pode agradecer, abraçar o vivente, registrar aquele momento bem fundo na memória para lembrar mais tarde, antes de dormir. Mas não é tão comum a resposta ser “quer dizer que ontem eu estava feio/feia?”?

Você pode pegar um ônibus bem cedo para uma viagem de 9h, ter que carregar todas as suas malas pesadas em duas imigrações na fronteira, comer milho cozido com água sabe-se-lá-de-onde como almoço, num restaurante de beira de estrada, e chegar exausto ou exausta à noite no hotel, querendo apenas tomar um banho e descansar.

Ou pode achar o máximo ter passado seu aniversário de 37 anos em dois países diferentes – com carimbos no passaporte para comprovar –, em um dia de 25h (devido ao fuso), ter ido jantar num restaurante estrelado em que todos cantaram parabéns a você enquanto um bolo chegava à mesa no fim da refeição.

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Você pode ESCOLHER olhar para a viagem de ônibus cansativa, ou para os carimbos no passaporte. Pode ESCOLHER olhar para o milho cozido do almoço ou para o jantar incrível do mesmo dia.

 

VIAJAR É OBSERVAR OS DIFERENTES POVOS

Quanto mais viajamos, mais evidente é que os povos mais tranquilos são os mais felizes. O Vietnam ficou sob o domínio chinês por 1000 anos, depois francês por outros tantos, e passou por inúmeras guerras, incluindo uma bem recente, contra um país diversas vezes maior, que sabe-se lá o que não tinha para fazer com sua própria vida para se intrometer por estas bandas. É um país em constante reconstrução: os trens são precários, ônibus idem, compras pela internet é uma coisa nova por aqui.

halong bay vietnam
Até Halong Bay foi palco da Guerra com os franceses – mas sobreviveu para contar sua história ao mundo

No entanto, as pessoas são calmas, olham para nós com curiosidade, porém sem intromissão. Levam suas vidas com uma certeza interna que de as coisas darão certo. Elas não se acumulam em filas, cedem a vez, não acham que ficarão sem lugar no trem e dão risada de tudo o que acontece ao redor. Os vietnamitas veem o copo-cheio.

Por outro lado, a China é uma pujança econômica, universidades, prédios, rodovias e ferrovias modernos abundam. As coisas existem e funcionam na China (apesar do governo não permitir livre acesso à informação). Há sites vendendo o que se precisa, parques com estruturas de fazer europeu se recolher de vergonha.

Porém o chinês é ansioso, se entulha na frente das portas dos trens fechadas, esperando abrir. Faz do trânsito uma maratona de buzinas e xingamentos, não respeita a calçada com suas motinhos, anda na contramão se a impaciência assim quiser. Dentro do trem, se a sua mala não estiver posicionada do jeito que o fiscal quer, ele não sossegará enquanto não a tiver posto corretamente – mesmo que isso signifique repetir a operação com a sua mala grande três vezes. Uma chinesa me disse que, desde criança, são ensinados a se comparar e tentar vencer os outros 1,3 bilhão de chineses: ansiedade é ensinada de pai para filho. Os chineses veem o copo-vazio.

 

O RUIM É MAIS MARCANTE DO QUE O BOM EM NÓS

Tenho uma fé muito grande no que cada um de nós é capaz, de que podemos vencer nossos limites internos e fazer coisas extraordinárias – mas isso é tudo de fé que carrego. Misticismos, crendices e achismos não me convencem, então fui pesquisar um pouco a respeito.

Fui entender o que a ciência diz sobre o assunto: que diferença faz decidir olhar o copo-vazio ou o copo-cheio? Por que parece que quem olha o copo-vazio não consegue deixar de ver o vazio, mesmo quando ele dá uma enchidinha?

Ao contrário: por que parece quem os do copo-cheio são mais tranquilos? Por que tanta gente vive com tão pouco ao redor do mundo – sempre satisfeitos com o que tem – e são os mais felizes entre nós?

Já falei aqui sobre o efeito das emoções negativas – ele é prevalecente sobre as positivas. Somos tão fortemente moldados pelas experiências – ou expectativas – ruins, que a psicologia já considera este um dos comportamentos base do ser humano. Aquelas coisas inerentes, que nascem conosco.

Lembramos muito mais claramente daquilo que nos fez cair, do que nos fez levantar. Sabemos de tudo o que não temos, e esquecemos facilmente do que temos. Os traumas de infância são tão relevantes porque nos marcam mais profundamente que as alegrias vividas no mesmo período.

O conjunto de evidências a respeito é esmagador e não deixa dúvidas: o ruim é mais marcante do que o bom.

E o que a mente faz numa situação ruim? Ou quando vê diante de si uma situação que a lembra de outra ruim?

A mente negativa, assustada, com medo, ansiosa, vê poucas possibilidades diante de si. Ela quer apenas escapar da situação o mais rápido possível – e nem sempre da melhor maneira. Ela não constrói nada, apenas foge.

É a teoria do tigre na floresta: se você vir um, o que provavelmente fará é correr pela sobrevivência. Talvez subir numa árvore fosse a melhor alternativa – mas com medo, a mente vê apenas UMA alternativa, não todas. Isso se chama “estreitamento de foco”.

(Por isso aquela teoria de tirar as pessoas da “zona de conforto” para “extrair o melhor delas” é balela. Quem está na zona de desconforto não pensa, não cria, não inventa, não imagina: apenas corre desesperado procurando achar o conforto novamente.)

É impressionante o quanto se estuda o efeito do copo-vazio e das emoções negativas sobre o ser humano. Um estudo americano que acompanhou mais de 3000 jovens entre 18 e 30 anos, por 15 anos de suas vidas, mostrou que hostilidade e impaciência estão ligados ao aumento da hipertensão a longo prazo.

Bem menos pesquisa se faz a respeito do que o pensamento e as emoções positivas têm sobre nós.

 

PASSAR POR EMOÇÕES POSITIVAS É O SEGREDO PARA O SUCESSO E A FELICIDADE

Enquanto as emoções negativas estreitam o foco, as positivas trazem consigo o chamado efeito de “ampliação-construção”. Quando vemos o copo-cheio, a mente relaxada encontra mais possibilidades para si mesma, mais opções para a própria vida. Ela então começa a construir novas habilidades – e a teoria é de que, no futuro, tais habilidades serão preponderantes para o sucesso, saúde, felicidade.

E isso não é apenas coisa de guru ou livro de auto-ajuda.

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Há estudos demostrando que as emoções positivas estão ligadas ao aumento da confiança nos outros e nossa abertura a novas experiências. Emoções positivas podem ajudar a reduzir doenças cardiovasculares em idosos.

O problema associado às emoções positivas é como mantê-las: é o chamado efeito de rotina hedônico.

Efeito de rotina hedônico? Cristina, você está surtando nessa pesquisa!

Calma, eu explico.

Lembra a última vez que você ganhou um aumento, como se sentiu? Felicidade e sentimento de riqueza, não? Quanto tempo este sentimento durou?

Lembra quando ganhou um presente superbacana do seu cônjuge e lhe jurou amor eterno? Quanto tempo levou para o juramento ser quebrado porque o comportamento da rica criatura lhe fez subir nas paredes?

Pois é, a felicidade é engraçada. Queremos alcançá-la, mas quando chegamos lá, nos acostumamos com ela (vai ver por isso tanto casal se separa, apesar de ter achado no início que o outro era a última e mais gostosa bolacha do pacote).

Esse “acostumar-se” com a felicidade e querer sempre um algo mais é o efeito de rotina hedônico – é um dos principais problemas com os estudos sobre o impacto da felicidade na nossa vida.

Afinal, quando o pesquisador começa a medir os resultados dos indivíduos felizes (por qualquer motivo: foram reconhecidos, ganharam um presente, reencontraram um amigo antigo), eles se acostumam com o sentimento e voltam ao estado anterior de “não-felicidade”.

Assim, como acompanhar por longo prazo as consequências de ver o copo-vazio ou o copo-cheio?

 

A MEDITAÇÃO PODE TE AJUDAR A SER MAIS FELIZ

Um estudo da Universidade da Carolina do Norte, publicado em 2008, mostrou que condicionar a mente a ter emoções positivas aumenta a satisfação com a vida e reduz os sintomas depressivos. O ponto-chave dele, contudo, não é a óbvia conclusão “se você tem mais momentos felizes, se sente mais feliz”.

A questão aqui é o condicionamento da mente.

No estudo, para condicionar a mente a ter emoções positivas, os indivíduos praticaram a meditação da bondade amorosa – simplificando, eles meditam sobre o sentimento que tem por alguém que já ama, e expandem este sentimento para si mesmos e outros ao seu redor.

Ninguém ganhou na Mega-Sena ou encontrou o amor da sua vida. Ninguém foi promovido ou deu um pé na bunda do chefe idiota que o atormenta. Ninguém no estudo foi surpreendido por uma declaração de amor desvairada em rede nacional. Ninguém reencontrou um amigo de infância ou um parente desaparecido.

Mantendo a própria vida, com todos os seus perrengues normais, o grupo que praticou meditação foi mais feliz. E, no caminho, encontrou mais consciência, propósito de vida, apoio social e reduziu sintomas de doenças.

A meditação da bondade amorosa foi também capaz de evitar o tal efeito da rotina hedônica. Ou seja, quem praticou a meditação da bondade amorosa não apenas foi mais feliz enquanto praticava, mas também manteve esta felicidade por mais tempo. Eles atingiram um patamar maior de felicidade e não voltaram ao estado anterior ao se acostumar com eles.

Se você for pensar em como os sentimentos ruins são mais persistentes e poderosos que o bom, é um achado incrível!

Há uma técnica, relativamente simples, que pode condicionar a sua mente a SENTIR MAIS FELICIDADE, onde quer que esteja. E não precisa viajar para o outro lado do mundo para encontrar este estado – num cantinho quieto da sua casa a felicidade está te esperando.

 

VOCÊ É QUEM DECIDE SER FELIZ – E ISSO NÃO DEPENDE DO QUE PASSOU NA VIDA

Sabe o que um outro estudo encontrou bem recentemente? Que uma visão otimista do futuro faz com que tenhamos uma boa impressão do passado. Se vemos o futuro com otimismo, olhamos para trás e pensamos “poderia ter sido pior”.

Se o vemos com pessimismo, o passado é apenas “poderia ter sido melhor” – exatamente como o irlandês falastrão descreveu a pequena e bela praia.

Enquanto eu pensava o quanto aquela praia era maravilhosa e que, mesmo com pouco tempo disponível, eu tinha curtido muito – nadado com a Sara, tomado sol, caminhado de uma ilha à outra, acordado bem cedo pela manhã para fotografar, ele só via a comida mais ou menos, ou a sacola de plástica na praia.

halong bay am cat resorte praia vietnam
Acordando cedo para fotografar 🙂

Enquanto eu pensava que poderia ter sido pior, o garoto-enxaqueca só focava no que poderia ter sido melhor.

Com certeza, a comida poderia ter sido melhor – eu nem gosto tanto assim de churrasco, pós 2 meses comendo noodles 😛 . Os mosquitos poderiam não ter dado o ar da graça. A água da baía poderia ser um pouco menos morna. A praia da ilha da frente poderia ser de areia fina, ao invés das conchas e corais quebrados que faziam doer o pé.

Engraçado como lançamos pistas da nossa personalidade o tempo todo, mesmo quando pensamos que estamos no auge da nossa maturidade e consciência. O irlandês, ao invés de falar da praia, para mim falava apenas de amargura, cinismo, pessimismo e infelicidade.

Ele falava de si mesmo.

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E eu, quando conto a minha vida, posso tanto ver o copo-vazio, quanto o copo-cheio. É uma escolha, no final das contas, e, sendo uma escolha, pode ser consciente. A escolha pelo copo-cheio traz mais felicidade – e eu posso condicionar a minha mente a escolher esta opção mais vezes (quem sabe todas as vezes).

 

EU LHE CONVIDO, CARO LEITOR E CARA LEITORA, A SERMOS POSITIVOS

A vermos o copo-cheio. Procurarmos, em cada experiência por que passarmos, o que de bacana houver nela. Abrirmos espaço para o bom, e não focarmos a mente no ruim.

Pratiquemos meditação. Sejamos bondosos e amorosos com os demais. Sejamos bondosos e amorosos conosco.

Quando pensarmos no Brasil, vejamos o que tem de bom e de avanço, e não a corrupção e a crise. Quando pensarmos na sua família, vejamos o que tem de carinho. Quando pensarmos na nossa cidade, vejamos o que tem de oportunidades e amigos. Quando estivermos viajando, busquemos o novo de coração aberto e não nos constranjamos com as diferenças.

No final das contas, somos nós quem escolhemos. O copo-vazio ou o copo-cheio são nossas escolhas, não das situações em que estamos.

Afinal, ao sair do resort na praia deserta e isolada, você quer lembrar da sacolinha plástica boiando?

Ou do dia mágico em que esqueceu de tudo e foi imensamente feliz?

A escolha é sua.

 

 

(É claro que este texto não pretende minimizar o sofrimento de quem é agredido intencionalmente pelos outros. Há muita gente má neste mundo, entre os que sabem que são e gostam disso, e os que são sem o saber ou insidiosamente. É difícil escolher o copo-cheio quando as brutalidades acontecem – mas ele pode voltar a se encher na recuperação, no perdão e no esquecimento, e isso é uma escolha consciente.)

 

Se você quiser receber os textos do Cuore Curioso direto na sua caixa de entrada é só se inscrever na nossa página (aqui abaixo ou na barra lateral direita). Mais fácil que isso, só dois disso 🙂

BEEEEEEEM lá embaixo tem um espaço para comentários (tem sim, eu garanto, é só ir descendo a página que você, Indiano Jones da Internet, encontra). Escreve para mim como você vê o mundo – mas fala a verdade, hein? Copo cheio ou copo vazio?

 

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12 comentários sobre “COMO UMA PRAIA NO PARAÍSO PODE SER MÉDIA? QUESTÕES DE COPO CHEIO, VAZIO E A NOSSA FELICIDADE

  1. Oi Cristina! Texto para refletir,e com a sua experiência ,pensar realmente em ser feliz.
    Ter e ser! O que é mais importante para sermos felizes? Qtos caminhos nos sāo oferecidos?decisoes, percursos ,copo vazio, copo cheio? E Vc no seu Texto maravilhoso,estende a sua mão para nos ajudar.Obrigada minha querida pela oportunidade que nos esta dando para mudanças em nossas .Um super Beijo à Vcs três
    Continuo viajando com vocês.

  2. Amei o texto! Excelente reflexão… acredito que tento ver o copo cheio na maioria das vezes, mas infelizmente tenho meus momentos de copo vazio… quem não tem?

    1. Oi, Gabriela! Parece que a chave do sucesso é ter consciência disso, reconhecer que estamos vendo o copo-vazio, e tentar modificar conscientemente o pensamento quando ele é negativo. Todos temos nossos dias, claro, mas é muito empoderador saber que está nas nossas mãos mudar!

  3. Estou em processo de ver o copo cheio com mais frequência. Em constante evolução. Parabéns pelo blog! Admirável atitude se jogar no mundo com uma filha pequena! 🙂

  4. Oi Cristina,
    Me tira uma dúvida? Como é a acomodação na pousada da praia? Tem ar-condicionado? Pq vi que pode se escolher entre dormir no barco e dormir na pousada da praia na segunda noite. Quem escolheu dormir no barco, a comida é servida no barco? Ou tem que comer na praia junto com os outros? Obrigado.

    1. Oi, Marcelo, tudo bem? olha, tem que ver com a companhia naval que fará o seu cruzeiro. no nosso caso, havia bangalôs com e sem ar condicionado, assim como cabines com e sem ar condicionado. nosso barco tinha cozinha, várias refeições foram servidas lá- e quem ficou no barco continuo comendo nele.
      boa viagem!

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