FAÇA, SEM MEDO DAS CRÍTICAS

Certamente, à luz da história, é mais inteligente ter esperança do que ter medo, tentar do que não tentar. Porque uma coisa sabemos sem sombra de dúvidas: nada foi um dia alcançado pela pessoa que diz, “não pode ser feito”.

You learn by living, Eleanor Roosevelt, 1960

 

Críticas são instrumentos poderosos. Incrível como a menor dúvida sobre a nossa capacidade de fazer algo põe em jogo todo o futuro deste projeto.

Dias atrás, uma amiga me pergunta: será que me inscrevo nesta seleção? E se não passar? Terei que conviver para o resto dos meus dias, até que todas as geleiras elevem os oceanos e que os oceanos por fim sequem de calor, até que as cinzas deste Planeta caiam sobre os últimos resquícios do Universo, até que não exista mais nada novamente, a não ser vácuo, com a memória de que não sou tão boa quanto eu penso.

Eu disse a ela: faça, sem medo das críticas.

Ora, estava ela prestes a dar um grande salto no seu maior projeto de vida. Existe sim a possibilidade de que ela não seja tão boa quanto pense ser, ou quanto eu penso que ela seja, ou quando o seu mentor pensa, ou a torcida do Grêmio pensa, ou do Inter, vá lá. Mas também existe a possibilidade – irrestrita, ampla, não negociável – de que seja ainda melhor. De fato, saber uma coisa, ou outra, é igualmente importante.

Se é o seu maior projeto de vida, conhecer seu potencial, saber que pode, que é capaz de algo que os outros labutam para conseguir, é encorajador, lhe impulsiona. Faz ter mais certeza de que se está no caminho certo, seguindo a própria benção. Passar nesta seleção, para minha amiga, é a confirmação de que o trilho à frente é o dela.

Joseph Campbell1, na famosa entrevista-que-virou-livro O Poder do Mito dizia que:

If you do follow your bliss you put yourself on a kind of track that has been there all the while, waiting for you, and the life that you ought to be living is the one you are living. When you can see that, you begin to meet people who are in the field of your bliss, and they open the doors to you. I say, follow your bliss and don’t be afraid, and doors will open where you didn’t know they were going to be. (…)

There’s something inside you that knows when you’re in the center, that knows when you’re on the beam or off the beam. And if you get off the beam to earn money, you’ve lost your life. And if you stay in the center and don’t get any money, you still have your bliss.”²

Se é o seu maior projeto de vida, saber quais são seus limites atuais, saber onde deve melhorar, descobrir que o que se faz hoje ainda é apenas parte de um potencial que pode ser explorado – tudo isso, apesar de assustador.

Contudo, o caminho não é fácil, e ele não deve ser mesmo. Mais para a frente, Campbell diz que a própria aventura é a recompensa – e ela tem tanto possibilidades positivas quanto negativas, todas fora do controle. Este é o seu caminho, não o da mamãe.

O seu projeto de vida é uma ponte pênsil: lindo, emocionante, arriscado, instável. Só quando você se sentir assim, você estará nele.
O seu caminho é uma ponte pênsil: lindo, emocionante, arriscado, instável. Só quando você se sentir assim, você estará nele.

Acontece que o ser humano é engraçado. Ele parece dar mais ouvido às críticas do que aos elogios – e isso não é apenas uma teoria. Uma revisão abrangente de pesquisadores americanos avaliou centenas de estudos para chegar à conclusão que, para nós, a força do mau é muito maior do que a do bom. Esta tendência é tão marcante, que os autores propõem que este seria um traço evolutivo – lembrar que um leão é uma das criaturas devorativas da natureza é muito mais importante do que lembrar que o morango é doce. Desde crianças, as críticas pessoais nos impedem de perseverar. Até nos nossos projetos: somos mais motivados a evitar más consequências do que a perseguir bons resultados.

Vou repetir. Perdermos muito tempo evitando que nos aconteçam coisas ruins – ao invés de perseguirmos nossos sonhos.

Fiquei pensando em quantos sonhos meus já deixei para trás com medo das consequências negativas – daquilo que pode nem acontecer, como diz essa mesma amiga: montar uma empresa própria, aprender a dirigir moto, voltar a andar a cavalo, fazer uma volta ao mundo, viver de escrever.

Que desafio esse viver, e aventurar-se pelo desconhecido. Se seguimos o conselho de Campbell, estamos sujeitos a intempéries, fracasso, críticas, mau olhados, agouros. Caso queiramos ir em frente na busca deste sonho, mesmo dentro de nós haverá uma tendência EVOLUTIVA a não o buscar. Ficamos estagnados, contemplando o Universo e sua matemática.

Mas, se seguirmos o conselho de Campbell, também estamos sujeitos a uma vida estupenda, feita de uma colcha de retalhos de pequenas e grandes aventuras, em que nos sentimos nós mesmos, e vivemos a nossa própria vida, o tempo todo.

Se seguirmos o conselho de Campbell, apoderamo-nos de nós mesmos. Colocamos todos estes freios, internos, externos, adquiridos, evolutivos, reais, imaginários, para correr.

Talvez o segredo seja justamente fazer, sem ouvir as críticas. Nem mesmo as mais ferrenhas: as suas.

 

 

Ah, e eu dedico este texto aos meus dois não-fãs no Facebook: ao descurtirem a página, vocês me fizeram pensar nos meus limites, no que estava fazendo bem e como poderia melhorar. Obrigada!

 

1. No site Brain Pickings tem uma boa compilação das ideias deste mitologista que é meu ídolo

2. Tradução livre:

Se você seguir a sua benção, você se coloca em um tipo de trilha que estava ali todo o tempo, esperando por você, e a vida que você deve viver é a que está vivendo. Quando você vê isso, começa a encontrar pessoas que estão no campo da sua benção, e eles abrem portas para você. Eu digo, siga a sua benção e não fique com medo, e portas irão se abrir onde você não sabia que elas estariam. (…)

Há alguma coisa dentro de você que sabe quando você está no centro, que sabe quando você está no raio de luz ou fora dele, e se você sai do raio de luz para ganhar dinheiro, você perdeu a sua vida. E se você se mantém no centro e não ganha nenhum dinheiro, você ainda tem a sua benção.

3. Ontem, numa palestra do Sebrae sobre empreendedorismo, uma pessoa levanta a mão e pergunta: e se o meu planejamento detalhado estiver me fazendo mais mal do que bem? E se eu não tivesse o conhecimento que tenho, se fosse mais ingênuo para o mundo, será que simplesmente não sairia fazendo e colocaria esta empresa pra fora do papel? Sim, provavelmente colocaria.

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7 comentários sobre “FAÇA, SEM MEDO DAS CRÍTICAS

  1. Parabéns Cris. Mais um excelente post. Como diz o Robert Dilts em um treinamento que participei sobre Identity Level Coaching: “Center Yourself. If you’re doing it, you’re fine.”

  2. Cris, curti muito o post, mas fiquei pensando mais na perseverança e dedicação ao tentar alcançar os meus objetivos pessoais do que propriamente nas criticas que recebi ao ser imprevisível em busca de bons resultados (como por exemplo, ficar na Europa com 200£ sem saber se vou ter grana para o próximo mes(. Enfim, seguimos o barco. >D

    1. guria, acho que quando nos vemos diante de um novo projeto, tem dois tipos de críticas: as dos outros, e as nossas barreiras internas. Para mim, as críticas dos outros são as mais facilmente superáveis, pois podemos criar uma lógica na cabeça que as minimize ou anule. contudo, a nossa própria dificuldade de testar o novo – para prevenir os resultados negativos – é o que de mais insidioso há. difícil de demover.
      então, quando vemos pessoas como tu, que seguem adiante apesar das adversidades, que têm determinação, temos que aprender com elas 🙂

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