POR QUE VIAJAR? – ou PORQUE ESTAMOS INDO PARA A ÁSIA EM FAMÍLIA

Em casa, nós perdemos a capacidade de ver o que está à nossa frente. Viajar nos chacoalha da nossa apatia, e nós recuperamos uma atenção que eleva cada experiência”.

John W Gardner

 

Algum tempo atrás, participando de um processo seletivo de trainees de uma grande multinacional, pediram que todos relatassem sua vida através de um cartaz. Mulher da escrita, o máximo que consegui fazer foi uma estrada cheia de curvas, um carro meia-boca com pessoas dentro e umas palmeiras aqui e ali.

Minha vida era a história das minhas viagens feitas até ali.

O carro era para dizer que eu pouco havia andado de avião, ao contrário dos meus colegas de dinâmica: todos intercambiados no exterior. Era a única que nunca havia saído do Brasil, em uma sala de umas 30 pessoas.

Passei nesta etapa, mas não no processo: saí dignamente na última etapa. Mal sabia eu, jovem engenheira cheia de ambição, que a viagem continuaria sendo o pano de fundo da minha vida.

Primeira viagem ao exterior, Reino Unido: decidi que era hora, parei de esperar, e virei página de jornal. Um mochilão pela Europa, Carnaval em Paraty e Camburi, inúmeras idas a Ubatuba, viagem ao Peru, à Alemanha, a Portugal e Itália, China, Coréia, Espanha: eu sei como minha vida estava apenas pensando em que viagens fiz naquela época.

(pois é, nunca fui aos Estados Unidos, apesar de ter o visto. Eles e eu vivemos numa rixa de amor e ódio desde que nos conhecemos)

Não à toa, quando pensamos em chutar o pau da barraca, a primeira coisa que veio à mente foi viajar. Fazer aquela viagem longa que nunca havia entrado nos planos.

Não à toa, pessoas ao redor do mundo viajam para se conhecer. Viajam para mudar. Quanto relatos você já leu sobre rupturas que aconteceram justamente após uma viagem?

Estamos há uns poucos dias desta grande viagem.

Era preciso fazê-la para entender que caminho tomar? Talvez não. Talvez pudéssemos ter ficado aqui no Brasil, planejando os planos futuros, montado empresa, feito contatos. Talvez fosse o caminho mais fácil.

Contudo viajar para o outro lado do mundo, começar a exploração justamente pela China – terra de complexidades, dificuldades, modernidades – é o nosso desafio. Faz parte dessa roda de desapego que está apenas começando a girar. Poderíamos ter eleito um destino mais fácil: mas esta não seria justamente a escolha que nos trouxe até aqui, a este momento de ruptura?

Não é porque escolhemos caminhos fáceis ao longo da vida que acabamos nos desiludindo com eles e questionando o nosso próprio sucesso?

O que eu mais escuto, no momento, é “tem que ter coragem”. É verdade. Para mudar de vida, há que se ter coragem, porque não é fácil. Tal criança, que desenvolve auto-estima conforme consegue realizar tarefas cada vez mais complexas, estamos nos desafiando. Fazendo uma viagem que testará várias das nossas “qualidades”: o medo de avião, a mania de planejamento, o “só durmo deitada”, o “quero um tempo só para mim”.

Cada desafio, uma chance de melhorar.

China: desafiando a sua noção do que é a China
China: desafiando a sua noção do que é a China

Vamos à China, e depois Vietnã, Tailândia, Camboja, sabe-se lá mais quais outros países, para mudar o ponto de vista. Daqui, olhamos para a direta e vemos Atlântico – queremos ver Pacífico. Queremos ver um pouco de Índico também.

Mesmo com muito esforço, ficando aqui, o ponto da nossa vista sempre será moldado, influenciado, puxado e repuxado pela cultura local. Hoje mesmo, em meio a um debate sobre as atrocidades que o ISIS comete na Síria, perguntei à minha irmã: e se você vivesse na China? Acharia que o ponto de vista judaico-cristão é o prevalecente?

Provavelmente não.

A forma como criamos filhos, os trabalhos que achamos bacana, os filmes que vemos, o tipo de marido ou mulher que buscamos, os carros que compramos: todas as nossas eleições e pensamentos são moldados pela cultura onde estamos inseridos. Passar um tempo numa outra cultura é a melhor forma de enxergar isso, e vou lhe dar um exemplo.

Eu sou gaúcha, mas morei 10 anos em São Paulo. Primeiro choque cultural: os paulistas não entram em conflito. Numa reunião com gaúchos, se há discordância, o pau quebra. Depois, todo mundo toma chimarrão junto (se bem que por tal traço, digamos, combativo, é que possivelmente se travaram tantas guerras no Estado). Já em São Paulo, não. Alguém vai lhe dizer calmamente como não concorda com você e não haverá conflito.

Reina, em São Paulo, a magia da política. Que pode sim enveredar para politicagem – que é outra coisa – mas que é uma arte nobilíssima que propõe conciliar argumentos opostos.

Teria percebido que existe outro jeito de levar as coisas, caso tivesse permanecido no Rio Grande do Sul? Provavelmente não. Imersa na cultura de nascimento, eu seria assim, pensaria assim e pensaria que todo mundo ao meu redor era assim até o fim dos meus dias.

Todo mundo no RS ou em SP é assim? Claro que não – é apenas uma tendência.

O bacana: observando como os povos resolvem suas pendengas, eu posso escolher. Posso aprender. Ou posso manter meu jeitão meio desafiador de ser e questionar o establishment o tempo todo.

Se dentro do Brasil cada povo é de um jeito, imagina o choque com um país diferente?  Cursos e mais cursos de etiqueta de negócios tentam ensinar aos viajantes como se portar: quando estender as mãos, em que ordem entrar na sala, onde sentar, como entregar seus cartões.

Na Coréia do Sul, você tem que entregar dinheiro com as duas mãos – ou com a mão livre tocando o cotovelo da mão que segura o dinheiro. Por quê? Gentileza. Respeito. São os elementos mais importantes daquela cultura.

E se você pudesse trazer o que de bom tem em cada cultura para a sua vida? Viajar é aprender.

Também não podemos ficar aqui, incitando o mundo a pensar por si só e tomar as rédeas da sua vida, e continuar na mesma vidinha pacata. Temos que ser exemplos das nossas filosofias, não? Quem seríamos, caso pregássemos a liberdade e o desapego, e vivêssemos enclausurados como ermitãos dentro de uma montanha de coisas?

Você pensou certo: seríamos hipócritas.

Por tudo isso iremos viajar, semana que vem. Que desta viagem venha experiência, contatos, histórias, alegrias, tristezas, paradoxos, paradigmas, dogmas e ética. Todas essas coisas da qual a vida é feita.

Que desta viagem venha um momento de recomeço. Que venha dela a oportunidade de mudar o ponto de vista.

Mudar a vista de ponto, é fazê-la mais ampla. É preparar a mente para recomeçar.

Seguimos aqui, no Cuore Curioso, postando o que vai nos acontecendo, o que vai nos impactando.

Prometemos que, quando algo nos impressionar, corremos aqui para contar.

Quem sabe colocamos uma pulguinha atrás da sua orelha também?

Quer ganhar um ebook incrível com as ferramentas de desenvolvimento pessoal que usamos nas viagens?

Assine a nossa newsletter e receba por e-mail: o ebook é gratuito e está cheio de fotos inéditas!

Sem spam. Só coisa boa.

4 comentários sobre “POR QUE VIAJAR? – ou PORQUE ESTAMOS INDO PARA A ÁSIA EM FAMÍLIA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *