Música Erudita – ou, Vem cá, deixa eu te apresentar uma amiga.

Quando se ouve falar em música erudita (ou, mais comumente, “clássica”), a reação mais comum das pessoas é fugir do assunto – e da música. Sempre me lembro de um episódio, há uns quatro ou cinco anos, quando eu soube não sei nem como (pois aqui no interiorzão de meu deus os espetáculos culturais são bem pouco divulgados) que haveria um concerto de uma certa Camerata Linense. Esse espetáculo teria lugar no Clube Linense, aonde eu nunca havia ido. Curiosa, quis ir e chamei uma amiga para me acompanhar. Sua resposta me marcou não sei por quê, já que eu, apesar de ter estudado música desde criança, também não sabia sequer o que era uma camerata: “não vou, não, porque não entendo nada disso”.

Isso, o quê?

Diz a Wikipedia, com base no Dicionário Grove de Música, que “música erudita é música que é fruto da erudição e não das práticas folclóricas e populares”. Gosto dessa definição! Vamos começar por ela, destacando que há músicas eruditas bastante populares. Duvida? Pois eu duvido que você não conheça isso aqui:

Pode parecer impressionante mas, não, essa música não foi composta especificamente para ser utilizada em casamentos! Ela é um trecho de uma suíte de um compositor alemão chamado Felix Mendelssohn, baseada numa peça de Shakespeare chamada Sonho de uma Noite de Verão, isso em mil oitocentos e pouco. Música popular e erudita se misturam, pois há também muita música “popular” cheia de cultura e erudição – olha o Tom Jobim que não me deixa mentir. Ouvido não tem tampa, já lamenta quem ouve uma besteira, mas por outro lado quando alguém ouve algo e gosta, aquela música chiclete que gruda no ouvido, já sai cantarolando, ou então sai espalhando por aí, mostrando pros amigos.

Voltando à marcha nupcial ali de cima, ela foi composta nem faz tanto tempo assim – há menos de 200 anos. Que música será que as pessoas usavam para a entrada das noivas antes disso? O que, aliás, nos leva a outra questão:


Música pra quê?

Tenho certeza que desde que o primeiro ser humano descobriu que podia emitir sons, que tinha voz e mãos e pés para bater, a música existiu. De lá pra cá, um monte de instrumentos musicais foram inventados, e a música foi usada com diversos propósitos. Música pra dançar, música pra celebrar, música pra acalmar, música pra pirar, música pra beber, música pra malhar, música pra relaxar.

É impossível imaginar a sociedade sem música, da canção de ninar aos hinos de guerra, da música de casamento à musiquinha de elevador – ou de espera telefônica. Assim como não existe mundo sem arquitetura, a que estamos expostos o tempo todo, pois existimos grande parte do tempo em edifícios construídos pelo homem, o mundo como o conhecemos não existe sem trilha sonora.

Penso na música como nas pessoas: tem aquela que se ama à primeira vista, tem aquela que a gente não vai com a cara. Tem a que te faz dançar, e a que te consola quando chora. Tem aquela que “nossa, há quanto tempo não vejo, quase nem lembrava mais, estou ficando velha…”. Tem aquela que meu pai gostava tanto, quando eu era criança. Tem aquela que só você gosta e todo mundo acha chata e que, quando você leva pra festa, a galera reclama. Tem aquela que quanto mais você conhece, mais gosta, e tem aquela esquisita que você um dia pára pra conhecer melhor e descobre que é legal. Então…


Música como?

Qual a sua relação com a música, ou como você a consome? Isso é matéria pra reflexão. A pintura, a escultura e a arquitetura e as outras artes plásticas, por exemplo, existem, sim com funções utilitárias. Grosso modo, a arquitetura serve pra morar dentro, pintura, desenho, escultura servem pra decorar a parede, a casa, ou para expressar ideias. Em um sentido, a música não é diferente das outras artes. Ela tem a função recreativa, de nos fazer dançar, decorativa, de preencher o ar num restaurante, numa festa. Mas sua beleza também pode – e deve! – ser contemplada, admirada, como obra de arte que é. Assim como quadros em um museu, o museu da música são as casas de concertos, ou de shows. E as gravações também, é claro. Tudo o que é preciso é parar um pouco e prestar atenção. “Entender” não é necessário para apreciar.

Mas admitamos que a música erudita, essa senhora aparentemente fechada, impenetrável, intimida um pouco. Você dirá: seria mais fácil com alguém pra nos apresentar, né? Você sabe, quebrar o gelo… tem gente que é um pouco tímida, fica sem saber como agir, onde pôr as mãos. Ou quando aplaudir, risos. Então vem cá, deixa eu te apresentar essa minha amiga.


“E quem você acha que é?”

Eu sou a Letícia, muito prazer. Piano foi o primeiro instrumento que aprendi a tocar, ainda criança, incentivada pela minha mãe, mas muitos anos depois disso, me apaixonei pelo canto lírico e resolvi estudá-lo mais a fundo. Hoje, aquela Camerata Linense, de que falei lá no começo, se transformou na Orquestra Sinfônica Jovem de Lins, lindo projeto aqui do interior de SP, que conta também com um Coro Sinfônico, do qual sou 1º. Soprano e solista. Depois que descobri que tenho “voz lírica”, de uns 3 anos pra cá, estou me apaixonando pela ópera, e descobri que adoro cantar Mozart.

Orquestra Sinfônica Jovem de Lins e Coro Sinfônico de Lins
Orquestra Sinfônica Jovem de Lins e Coro Sinfônico de Lins

Além disso, sou amiga da Cristina, que gentilmente me convidou pra assinar um texto mensal aqui no Cuore Curioso. “Um casal em busca de tudo o que for novo!” observará um leitor mais atento, “esse negócio aí de música clássica de novo não tem nada, cheira a naftalina!”. Bom, querido leitor, pelo jeito é um assunto novo pra você 🙂 Pra mim, com certeza, é.

E olha, não é que eu seja lá a amiga mais íntima da música erudita, não, viu? Ela é daquelas coisas profundas e extensas, a gente precisa mergulhar com tempo para conhecer. Mas do que eu conheço, gosto muito, e o que a gente gosta, quer logo apresentar pros amigos. Vamos juntos? Acho que você vai gostar.
Faz assim, começa por aqui: As 100 músicas clássicas mais conhecidas. E te deixo com uma pergunta: qual a primeira coisa que te vem à cabeça quando ouve falar em música erudita? Deixe sua resposta nos comentários!

Quer ganhar um ebook incrível com as ferramentas de desenvolvimento pessoal que usamos nas viagens?

Assine a nossa newsletter e receba por e-mail: o ebook é gratuito e está cheio de fotos inéditas!

Sem spam. Só coisa boa.

Um comentário sobre “Música Erudita – ou, Vem cá, deixa eu te apresentar uma amiga.

  1. Estou achando que estou achando o que andei procurando e nem sabia que era por isso que eu procurava.
    Também venho me encantando com esse estilo musical……
    Eu sou Adilson, e tenho um orgulho enorme de, juntamente com Letícia e outras amigas e outros amigos, integrar o Coro Sinfônico da Orquestra Sinfônica Jovem de Lins. Sou um dos integrantes do naipe dos baixos.

    1. Adilson, só é que temos orgulho do trabalho que vocês fazem pela cultura no Brasil, especialmente numa região tão afastada dela como o interior de São Paulo! Parabéns! Obrigada pelo comentário!

    1. Olá, Hermantina! E tem várias músicas clássicas que foram feitas inspiradas em contos de fadas mesmo! Letícia, que tal fazer um post sobre a inspiração popular dos nossos autores de música erudita?

  2. Olá!!! Conheci a música clássica também enquanto criança. Tem muitas nos desenhos animados, e me encanto sempre que escuto.
    Ótimo texto!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *