Café com Bach: Por onde começo?

Outro dia fui ao museu com minha sobrinha. Ela nunca tinha ido a um museu. Havia uma exposição dos artistas (avô e neto) Manabu e Dan Mabe, e ficamos brincando de adivinhar o que os pintores quiseram dizer com cada quadro.

Às vezes era fácil, às vezes mais difícil e era preciso olhar bem. Nem sempre acertávamos, claro, mas nos divertimos muito.

Pensando bem, essa pode ser uma boa abordagem para começar a conhecer a nossa amiga música erudita também.

Será que ele comeu muitos prédios e acabou ficando doente? Ou será que ele já estava passando mal e acabou vomitando os prédios? (2 telas de Dan Mabe, 2010)

Veja, o que mais me encanta e me atrai para a música erudita instrumental ou coral é sua riqueza. Existem tantos instrumentos e vozes diferentes e, portanto, tantos sons, timbres, tantos ritmos… tantas possibilidades. É como entrar em um bosque, cheio de cores, formas, perfumes e sons.

Para quem entra pela primeira vez, com passos tímidos, e se depara com essa profusão de informações, é natural perguntar-se: por onde começar? A resposta não vai te surpreender: comece ouvindo. Sim! Mas ouvindo o quê?

Algumas pessoas aconselharão a começar pelas peças mais famosas, outras a começar por Mozart, ou algum outro compositor, ou em ordem histórica, talvez. A verdade é que pouco importa o quê; eu o aconselharia simplesmente a ouvir. Ir a um concerto ou ensaio da orquestra ou do coro mais próximo de você, ou mesmo buscar vídeos na internet. Pegar uma xícara de chá, fechar os olhos, abrir os ouvidos e a imaginação.

tela de Manabu Mabe


 Vamos fazer uma brincadeira, então: que tal escutar as músicas abaixo, e perceber que imagens elas te trazem à cabeça? Qual é o ambiente em que elas acontecem? Em que época, em que lugar do mundo? Enfim, o que elas te dizem?

1.

(Amanhecer, da Suite Peer Gynt de Edvard Grieg)

Ouça o som dos diversos instrumentos que compõem uma orquestra. Tudo começa como um diálogo entre a flauta e o oboé, um jogando a melodia para o outro. Então vem os violinos e os demais cordas para ajudá-los, e assim a manhã vai clareando, o sol subindo, pleno, como a orquestra toda. Os sons vão tecendo a manhã, como neste poema do João Cabral de Melo Neto.

Para ouvir com mais tempo: C. de Saint Saëns: O Carnaval dos Animais. Esta é boa para brincar, sozinho, com os filhos ou sobrinhos, de adivinhar cada animal.

  1. Duas cenas de lugares distantes:

(Albert W.Ketelbey. Em um Mercado Persa):

Começa um dia comum num mercado persa. Vêm chegando os comerciantes, os pedintes… o que mais as pessoas que vão comprar encontrarão por ali? Spoiler: a Sara, com dois aninhos de idade, foi pela primeira vez a um concerto da OSJL com sua mãe, para ouvir “música de princesa”. Acabou encontrando até a própria princesa, por lá!

(Coro dos ciganos – Il trovatore, G. Verdi)

O dia mal começou e os ferreiros ciganos já começaram a trabalhar: martelam suas bigornas ao amanhecer, observando o céu e cantando louvores às suas mulheres e ao vinho. A letra fala sobre isso, e eu adoro como o ritmo da música remete às marteladas dos ferreiros.

  1. Inusitados

(A Máquina de Escrever, Leroy Anderson)

O que é música, e o que é barulho? Por definição, barulho é um som indesejado, sem sentido. Um ruído, uma interferência.  Na verdade, o barulho só existe para quem está fora de seu contexto – para quem fixa um quadro na parede, as marteladas são esperadas, enquanto para o vizinho são uma tortura.

Certamente a vizinha não considerava música o som da banda que meus primos e eu fazíamos com as panelas e colheres de minha mãe, quando crianças. Mas pode ser divertidíssimo o som de uma máquina de escrever. Ou de alguém utilizando uma lixa de parede…

(Balé da Lixa, Leroy Anderson)

Essas indicações são apenas um começo, e as músicas foram selecionadas sem nenhuma metodologia específica. São peças de que eu gosto, por diversos motivos, mais ou menos pessoais.

Quer mais músicas para ouvir? Tem a playlist to Café com Bach no YouTube. Lembrou de alguma peça musical legal para compartilhar? Deixe nos comentários! E até o próximo Café com Bach 🙂

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