Aniversário no quintal de casa: sim, nós podemos

Este é um texto escrito por uma convidada de honra aqui do Cuore Curioso: a Juliane Dias Gonçalves, mãe do Hilton, que vocês irão conhecer abaixo, e também diretora de relacionamento da Flavorfood e editora-chefe do site Food Safety Brazil. A Juliane é uma mãe moderna, que trabalha, mas espera que seu filho tenha uma infância rica e feliz, com presença e sem excessos. Vamos ao texto?

 

Tenho grandes recordações das minhas festas de aniversário de infância: as vizinhas iam para casa e faziam mutirões para enrolar brigadeiros, confeitar o bolo, cortar os sanduíches, rechear as barquinhas ou fazer aqueles palitos típicos dos anos 80: um cubo de queijo, um de presunto, uma azeitona.  Os pais ajudavam a encher e pendurar as bexigas e levavam o aparelho de som para alguma área estratégica. Prendiam com fita crepe, do jeito deles, aqueles enfeites de isopor na parede.

Esses mutirões eram retribuídos, como uma espécie de cooperativa onde todos poderiam contar com todos nas festas de seus filhos. As maiores “terceirizações” que poderiam ocorrer seria comprar uma caixa de salgadinhos fritos da padaria ou, quando muito, se chamava um palhaço (que às vezes era um parente que nada cobrava para virar saco de pancada). É verdade que a grana não daria para muito mais, mas não tenho nenhuma recordação de frustração por causa disso. Passávamos horas “reinando” de um lado para o outro enquanto os nossos pais batiam papo até a hora de cada um ir para sua casa dormir.

Ah, me faltou comentar que geralmente essas festas aconteciam em apartamentos de 75 m² ou no salão de festas do condomínio que tinha este tamanho, e não havia nenhum tipo de “atração” como pula-pulas, vídeo-games e parquinhos.

Nesta foto detonamos um trem de chocolate que uma tia habilidosa montou  diante dos nossos olhos, aumentando mais ainda a vontade de atacá-lo depois  do parabéns.
Nesta foto detonamos um trem de chocolate que uma tia habilidosa montou
diante dos nossos olhos, aumentando mais ainda a vontade de atacá-lo depois
do parabéns.

Eis que me tornei mãe e passei a frequentar festas infantis de buffets vinte e tantos anos depois! Na primeira vez, juro que enchi os meus olhos: lindas mesas temáticas, fotos e nome do aniversariante por todos os lados num buffet coordenado (a mãe não está servindo os convidados?), brinquedos dignos de parques de diversão, recreadores, um monte de criança… uau!
Passada a terceira festa, este padrão de serviço me pareceu bastante previsível (vem a pipoca, depois a batata frita e o cachorro-quente…parabéns cantado pela equipe do buffet com efeitos especiais depois de 3,5 horas cronometradas, bolos que já vem cortados distribuídos em série – cadê a dedicatória para o primeiro pedaço????).

Então me propus a fazer as festinhas aqui em casa resgatando ao máximo minhas experiências passadas. OK, compramos alguns doces prontos, painéis decorativos, temos uma pessoa para ajudar a servir, a faxina antes terceirizada. Mas algumas coisas que não abri mão:
– Fazer o bolo ou cupcake com o meu filho

Olha a alegria dele e dos amigos!
Meu filho, fazendo o bolo da sua festa.

– Enrolar brigadeiros

– Bolar recreações na frente da casa (corridas, dança da cadeira, estátua, corda) onde OS PAIS participam e coordenam
– Assar uma torta de liquidificador
– Espremer o limão ou fazer o chá para ser servido
– Oferecer salada de frutas em potinhos
– Botar parentes e o filho para encher uma ou outra bexiga e pendurar os enfeites, alguns feitos em casa (claro que serão poucas bexigas, nada de encher paredes com o ar dos próprios pulmões)
– Nada de lembrancinhas com nome do dono da festa, que já será suficiente estrela por um dia.

Claro que para isso, tenho que tirar o dia anterior da festa, geralmente uma sexta, para me dedicar exclusivamente a este projeto. E também várias horas picadinhas depois do expediente e finais de semanas que antecedem à festa. Sim, eu trabalho e sou remunerada por dia e portanto, esta “falta” é um dia sem ganhar. Como seria para advogadas, médicas, vendedoras e tantas mães que “não podem abrir mão de um dia de trabalho” e pagarão por meses as parcelas do buffet. Outras tem um emprego e jamais conseguiriam negociar uma compensação com a empresa por um motivo desses e “não tem outra escolha”. Isso é assunto para um outro post.

Além do fator “falta de tempo” tive que me desprender de outras questões que rondam a cabeça de muitos pais: “Ah, mas a casa vai ficar uma bagunça, vão mexer/quebrar tudo”. Ou ainda: “Ah, meu bolo/salgado/decoração nunca vai ser tão bom quanto a de um buffet, não posso envergonhar os convidados”. Mas o pensamento mais difícil de todos é sempre  “O que meu filho vai pensar: os amigos têm festa em lugares grandes, caros, grandiosos e com todos os amigos que conheceu desde que nasceu, vindos do prédio/natação/escola/inglês… como fazer uma festa mais despojada e dentro de casa  sem que fique parecendo pouco”?

Como consigo? Respondo com a última pergunta do meu pequeno de sete anos: “Mãe, meu próximo aniversário vai ser em casa, né? Por que é muito melhor”.

Juliane Dias Gonçalves é engenheria de alimentos, consultora de Food Safety, e apaixonada pelo seu filho.

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Um comentário sobre “Aniversário no quintal de casa: sim, nós podemos

  1. Gente, era assim as festas das minhas filhas, vinhamos primos os vizinhos e as colegas da classe e passavam as tardes em reinações e brincadeiras (pular elastico, corda,queima) era uma delicia.

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