HOMEM ALADO – CARTAS PARA UM ROMPIMENTO

Oi, Beto

Amanhã você irá embora.

Eu sei que deveria ir ao aeroporto, me despedir, chorar no seu ombro e lhe desejar sorte. Sorrir no meio da dor, fazer de conta que estou torcendo por você. Ficar olhando você ir embora.

Mas não dá.

Não posso ser esta pessoa. Simplesmente, não sou assim.

Eu sou a pessoa que iria lhe dizer, fica. Fica por mim. Fica aqui por nós dois e pelas balas sobre a cama no dia dos namorados. Fica aqui na cidade, fica para comer pastel na feira.

Se eu fosse no aeroporto, lhe diria para ficar pelas microviagens que a gente faz aqui mesmo. Que não precisa ir tão longe. Que aqui nós nos divertimos. Que lá fora é diferente, mas que lá fora é tudo igual a aqui.

As pessoas são iguais no mundo inteiro.

Se eu fosse no aeroporto, me jogaria qual âncora a seus pés, querendo que você se sentisse local aqui. Querendo que você ficasse apenas porque eu estou aqui. Apenas porque nós somos aqui.

Eu deveria saber, na nossa primeira viagem juntos, que aquele olhar não tinha mais volta. Vi o seu olhar sobre as montanhas, vi você abrir as asas, estava junto nesse dia. Você, deixando de ser menino, passando a ser pássaro.

Você, um pássaro que não mais pousou.

Eu vi você virar esse homem alado que amanhã vai embora, amanhã embarca, portão de embarque te engolindo e apagando qualquer lembrança dessa terra daqui.

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Eu estava lá, vi nos seus olhos. Não tinha mais nada o que fazer. Fiquei apenas paralisada, apavorada, olhos arregalados, enxergando as asas brotando nas suas costas e você virando este homem alado.

Então, Beto, é inevitável. Era inevitável na viagem, é inevitável amanhã.

Não irei ao aeroporto. Despeço-me agora, aqui. Não quero lhe ver. Não quero sentir mais seu cheiro e criar mais memórias.

Amanhã, nem olhe para trás. Olhe sempre para cima. Não perca seu rumo, não corte suas asas, não coloque anel na pata. Não faça isso por mais ninguém, não faça isso por mim.

Eu, sem outra escolha, ficarei aqui.

Quando achar por bem, voe baixinho, aqui na cidade. Voe perto do nosso bairro, voe sobre nossa casa.

Voe devagarzinho.

Quando passar pela nossa janela, sinta o cheiro da maçã que deixei ali, esperando por você.

Não se apresse em degustá-la. Ela está ali por você. Ela está ali todos os dias, ela lhe espera.

É uma maçã do amor.

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