Floripando – Casal Cuore e sua filhinha de 4 anos vão à Ilha da Magia

Quando trabalhava em Santa Catarina, a matriz da minha empresa ficava em Florianópolis. Cerca de 1 vez por mês, convocava-se todos os supervisores para reuniões e eu cruzava o canal dirigindo e pensando: eles ainda estão me pagando para vir até aqui.

Apesar de frequentes, estas sempre foram visitas rápidas. Queria ter uma oportunidade de ver a Ilha com calma, conhecer os pedacinhos menos famosos, realmente imergir naquele mundo que parecia tão distante da realidade diária.

Anos depois, logo que começamos a namorar, numa volta de viagem a trabalho, resolvi ficar o final de semana por lá. Estava sozinha, então pesquisei a pousada mais barata que pudesse encontrar, pedi um translado do aeroporto, e me joguei naquele mar transparente.

O local: Praia da Armação.

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Reflexão na Praia da Armação

Um pequeno povoado de pescadores que, longe do agito das praias Mole, Joaquina e Campeche, seguia no seu ritmo lento, marcando o passo no bater das asas das gaivotas abundantes. Foram dias de realização: ficar a uma quadra do mar, ver o Sol se por de dentro dele, fotografar, dormir até tarde, caminhar, sentir uma beleza natural.

Abrir os braços dentro do mar e reconhecer: estou feliz.

6 anos depois, o que era um namoro começando tornou-se um casamento com uma filha. No caminho de retorno ao Sul, pensamos em ficar uns dias em Florianópolis, sem compromisso de datas, na mesma pousada. Comprar frutos do mar e cozinhar. Brincar de castelos de areia. Fazer aquela imersão na Ilha da Magia.

Primeiro dia, e queria apresentar à parte masculina do Casal Cuore o que era uma sequência de camarão. Ao invés de irmos nas Rendeiras, onde ficam os restaurantes mais turistados, rumamos ao Canto da Lagoa, onde eu sabia que havia um restaurante à beira dela, e que era frequentado pelos meus ex-colegas que haviam nascido na ilha. Já tinha ido, há mais de 10 anos, então tudo poderia ser. Mas o Restaurante do Deca continua firme e forte: serviu uma sequência com pirão delicioso e uma suculenta tainha grelhada. Nada daqueles camarões minúsculos também. Para arrematar, trapiche para a Lagoa da Conceição e os pássaros esperando uma cabeça de camarão aqui, outra ali.

Um dia para curtir a Praia da Armação. Passar pelo centrinho e ver a Igreja construída com óleo de baleia, que era a principal atividade econômica da área até início do século XX (triste). Mas também para deslumbrar-se com o novo calçadão (sim, desconfigurou a orla, mas facilitou o acesso) e fazer exercícios de frente ao mar. Caminhar pela passarela até a Ilha das Campanhas. Sentar nas pedras e ser quase engolida pelo mar. Ver a praia do Matadeiro, seus surfistas.

Como os dias estavam chuvosos, um dia para dar a volta completa. Uma voltinha na Joaquina, para sentir um vento forte, depois rumo a Santo Antônio de Lisboa, almoço em Jurerê, voltinha em Canasvieiras e retorno por Moçambique e a Barra da Lagoa.

A Sara se emocionou com as tartarugas do Projeto Tamar, na Barra da Lagoa. O projeto mantém atividades de recepção, readaptação e manutenção de tartarugas marinhas – e de quebra faz educação do público. É pequeno e tem um olhar para o lúdico e o infantil. Naquele sábado, soltariam ao mar uma tartaruga readaptada, evento aberto ao público, mas infelizmente seguimos viagem antes disso. Deve ser imperdível!

Último dia, e tínhamos ainda dois passeios para fazer: a Lagoa do Peri e a Costa da Lagoa, para a Sara finalmente andar de barco. Parece que andar de barco é a atração número 1 para ela, só dizer “vamos andar de barco” para que todas as nuvens se dissipem.

Talvez eu não estivesse preparada para a chegada ao Parque Municipal da Lagoa do Peri. Já havia estado ali, e sabia que era mágico, um daqueles lugares que te emocionam por algum motivo desconhecido. Talvez o por do Sol por trás das montanhas. Ou a água doce e potável meio morna. Ou o impacto de avistar tanta água depois de vir pela trilha.

A entrada pelo parque é linda e imperdível. Trilhas bem preservadas e informação sobre a formação da lagoa, gralhas azuis, mesas de madeira espalhadas sob as árvores. No verão, imaginei aquele lugar cheio de crianças correndo e se divertindo nos brinquedos, ou caçando tesouros nas trilhas.

Sentada à beira da lagoa, me invadem tanto uma sensação de imensidão quanto de humildade: uma montanha de água circundada por montanhas de terra para lembrar que há maravilhas espalhadas por essa terra Brasil.

Finalizando nossos dias na Ilha, um passeio de barco pela Costa da Lagoa, com parada na 16 e descida para conhecer a cascata, que estava linda, pois havia chovido muito alguns dias antes. Um almoço simples, de pastel de camarão e siri, num deck sobre a Lagoa e a vida estava começando a entrar nos eixos.

Segundo nosso garçom, ali a vida era pacata: as crianças iam à escola local até certa idade e depois passavam a navegar diariamente até a escola. Como não há muito o que fazer, gasta-se pouco, não se come pizza à noite. Uma ou outra vez, vão ao Centro, mas de resto, trabalha-se, convive-se, vê-se.

Na volta ao Centrinho da Lagoa, o barco tem uma pane, e chega ao embarcadouro com dificuldade. Mesmo assim, chega. As pessoas ao lado leem livros, conversam. Ajudam o barco a aproximar-se das paradas.

Estávamos em outra realidade. Mas aquela era a realidade possível de toda sorte de gente que habita a Ilha – os que pescam, os que navegam, os que estudam, trabalham em bancos e repartições, vão à praia ou apenas ao shopping.

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Colocar a pele de viajante e trocá-la a cada porto, experimentar uma nova vida, ver que existem mais possibilidades do que o caminho único em que você se colocou: parece que estamos começando o nosso ano sabático.

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5 comentários sobre “Floripando – Casal Cuore e sua filhinha de 4 anos vão à Ilha da Magia

  1. Quando postaste no face, imaginei uma viagem por acontecer. Rsrsrs. Muito bom ler e relembrar roteiro já feito também. É um paraíso.

  2. Olá,

    Estarei em Florianópolis em julho, dizem q faz muito frio, estarei hospedado na praia das canasvieira, você tem dicas e passeios para o frio?

    1. Olha, Leonardo, nos dias em que estávamos por lá choveu muito, então alguns dos passeios listados acima foram feitos com chuva – e dá para fazer com frio. Eu vejo que o passeio pelo Canto da Lagoa é super válido, saindo de barco ao lado da ponte das Rendeiras. O projeto Tamar também gostamos muito. Santo Antônio de Lisboa e o Ribeirão da Ilha são também passeios que independem do calor. Uma coisa que não fizemos desta vez, mas que vale a pena, é passar umas horas no mercado municipal Pirão – se informe, porque parece quem em determinados dias tem música ao vivo.

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