Cargas – ou, Sai de mim, coisa ruim! e Seja mais leve

Estou espantada com as cargas que carrego. Eu ainda tenho papéis de cartas decorados que colecionava quando criança. Parte da coleção ficava na casa da minha avó, e fiquei ofendidíssima quando ela jogou fora. Isso há pelo menos uns 20 anos. Consegui salvar uma pequena parte, que guardo comigo desde então.

Eu tenho 36 anos.

O que realmente farei com estes papéis? Nem eu sei. Mas eles estão aí, guardados, juntos a tantas outras coisas que não fazem nenhum sentido. 15 almofadas. Quem precisa de 15 almofadas em uma casa com apenas 1 sala?

15 almofadas, pode contar!
15 almofadas, pode contar!

E então vem a montanha de apetrechos de cozinhas, pelo menos umas 5 facas grandes, vasilhas de todos os tamanhos em todos os materiais: vidro, porcelana, cerâmica e inox. Toalhas de mesa compradas e herdadas. Toalhas de prato. Panelas de todos os tipos, comprei um jogo e depois segui comprando panelas avulsas. E potes de tempero, uma bela coleção de pelo menos uns 15 tipos diferentes.

Eu tenho o aparelho de som que ganhei quando completei 15 anos. Ele funciona. E eu costumava falar isso com orgulho.

Realmente, sou uma pessoa que guarda e conserva. Tenho (ou tinha) milhões de plantas em vasos. A minha intenção sincera era formar a Mata Atlântica lá em casa.

Eu já me mudei 11 vezes. Olha a tabela aí:

1 Porto Alegre Lajeado-Casa
2 Lajeado-Casa Lajeado-Apartamento
3 Lajeado-Apartamento Porto Alegre
4 Porto Alegre Montenegro
5 Montenegro Lajeado
6 Lajeado São Bento do Sul
7 São Bento do Sul Jundiaí-Apartamento 1
8 Jundiaí-Apartamento 1 Jundiaí-Apartamento 2
9 Jundiaí-Apartamento 2 Jundiaí-Apartamento 3
10 Jundiaí-Apartamento 3 Lins-Apartamento
11 Lins-Apartamento Lins-Casa

Várias dessas montanhas de coisas me acompanham desde as primeiras mudanças. Os papéis de carta, certamente, desde a primeira: eu só colecionei cartas em Porto Alegre na infância.

Não são apenas cargas físicas. Cada foto, cada jornal velho, cada enfeite quebrado é uma lembrança de um amor, de um sufoco, de um momento desesperado, de uma dor, de uma paixão descontrolada, de um abuso, de uma revelação.

Tralhas, tralhas, tralhas - e aqui, apenas na cozinha.
Tralhas, tralhas, tralhas – e aqui, apenas na cozinha.

Ainda guardo em mim mágoas muito antigas. Momentos em que fui humilhada. Histórias de perdas. Dias em que não pude contar com ninguém. As paredes do meu coração estão cheias de recortes dolorosos que simplesmente não vão embora. São como os meus papéis de carta: eu ainda dou um jeito de salvar um ou outro mesmo quando a vida vai me mostrando que o mundo é sim gentil, educado, honesto e acolhedor.

Então este novo período também tem esta função: livrar-se de tudo isso.

Jogar todos estes recortes pela lateral de um barco. Afogar todo e qualquer rancor bem fundo no mar. Sair purificada dessa travessia. Poder olhar nos olhos de quem pregou estes recortes e dizer: você é importante para mim. Você fez parte do que me criou até aqui.

Todo mundo carrega suas cargas, mas somos muito pesados fazendo isso. Carregamos todas as cargas das nossas heranças pessoais e carregamos as cargas das histórias que criamos. Às vezes, estas cargas ficam lá, penduradas nas paredes ou enfeitando as estantes de um armário que por si só já é outra carga.

Faça isso comigo. Jogue suas cargas no mar hoje. Arrede os móveis, abra espaço, assopre tudo. Seja bom e boa consigo mesmo e mesma.

Você, e eu, podemos ser muito, muito mais leves.

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7 comentários sobre “Cargas – ou, Sai de mim, coisa ruim! e Seja mais leve

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