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O QUE VOCÊ FARÁ QUANDO NINGUÉM MAIS PRECISAR TRABALHAR?

Recentemente, em meio a um artigo sobre regras de tecnologia que irão governar o futuro, um ponto me chamou a atenção. O autor, professor da Universidade de Engenharia da Carnegie Mellon alegava que as coisas serão tão baratas, ou sem preço, que ninguém mais precisará trabalhar.

Este ponto, especialmente, recebeu uma enormidade de críticas nos comentários. Uma infinidade de homens e mulheres de meia idade apareceram para levantar a bandeira de que telefones são caros, a comida é cara, há inflação para todo o lado e ter educação é privilégio de poucos.

Não estão errados.

Sobre o presente: comida é cara, há inflação, educar-se requer esforços financeiros. Esta é a nossa ótica – todo o esforço deve ser recompensado em dinheiro. Toda troca deve ser monetizada. Este é o paradigma sob que vivemos: o de acúmulo de riquezas.

O futuro, contudo, trará novos paradigmas. Alguns deles, já estão acontecendo bem na nossa frente, é só olhar com olhos de ver.

Os indícios, se parar para pensar, estão por toda a parte: diversos serviços que um dia foram pagos hoje são gratuitos ou têm valor irrisório. Pense no Netflix, no Uber, na internet que um dia foi paga por hora, pense que refrigerante era artigo de luxo aos finais de semana, no telefone que sai gratuito no plano mensal.

Se você for ávido por tecnologia, já sabe que existem cursos livres e pós-graduações gratuitas em MOOC. Que qualquer matéria da escola até o ensino médio – e mais – já é ofertada gratuitamente.

Isso não é milagre, nem revolução: é simplesmente o esperado do avanço da tecnologia. Que a tecnologia se torne cada vez melhor, mais rápida e mais barata é meramente o que se espera – e é simples ver que haverá um ponto no futuro em que não apenas a escola será gratuita, mas outros serviços e produtos, hoje pagos, também.

Quando vamos para a produção de alimentos: fazendas urbanas, coletivos familiares, #growyourownfood, estão por todos os lados. A ocupação de espaços urbanos com hortas – plataforma de governo do candidato do PV à presidência nos anos 90, lembra? – deixou de ser “coisa de hippie”, para ser uma forma sustentável e moderna de lidar com a questão da fome (entre outras).

Podemos continuar falando sobre a questão do crescimento do minimalismo e outras vertentes que pregam o desapego e uma relação mais saudável com “as coisas”. Quem hoje em dia faz coleção de DVDs e CDs? Não precisamos mais TER as coisas – o acesso a elas já é suficiente (como nos provam Spotify, bikes compartilhadas, Netflix, Airbnb, e tantos outros serviços de aluguel).

É fato. Em algum ponto no futuro – 15 anos? 30 anos? só com a bola de cristal para acertar – não precisaremos mais trabalhar. A comida será acessível, o teto será acessível, o transporte será acessível, e encontraremos outras formas de pagar por tudo isso, que não o dinheiro (bitcoins? escambo? coisas com as que nem sonhamos ainda? – mais provável).

 

Se você ainda não sentiu os ventos, é porque não desceu pro parque. Olhe ao redor.

 

Crise e tudo, milhares de desempregados em 2015 e 2016. Mesmo assim, quantos abatedouros não completam suas vagas?

Se você não é do ramo, talvez não saiba: a agroindústria contrata em massa todos os imigrantes que aportam por estas terras – e inclusive fazem missões ao Haiti, Angola, Senegal e outros países menos desenvolvidos em “busca de mão de obra”. (Claro, porque os imigrantes não são pessoas, são “mão de obra”. E o pior, segundo a Veja, podem ser importados, como se fossem commodities).

Já está acontecendo aqui e agora: você pode oferecer o salário que quiser para um jovem, e ele não se candidatará ao serviço de degola de frango, em certas regiões do país. Simplesmente, porque não precisa desse emprego. Ele tem uma abundância de outros empregos disponível e, quando não, reduz o padrão de vida a tal ponto de não precisar de mais do que uns míseros reais por mês.

E então chegamos ao meu ponto. À minha pergunta.

Se ninguém mais precisar trabalhar, o que você fará para ter trabalhadores?

Como irá fazer alguém trabalhar na sua empresa, se ninguém mais precisar de dinheiro?

Que cenoura usará para estimulá-los?

Que chicote usará para mantê-los na linha?

Hoje ainda escutamos: “só não saio porque tenho que pagar as contas”. Eu mesma já disse isso, no primeiro – dos inúmeros – casos de abuso moral por que passei. Só não saí porque tínhamos carro, escola, apartamento para pagar, e tudo isso dependia de mim. Eu mesma já estive presa neste ciclo de salário – compras – contas – pagamento – salário.

Mas então veio o melhor dia da minha vida, e um sabático. E neste sabático, tempo, visão, meditação, escrita, pessoas diferentes e toda a revolução que um pouco de perspectiva de mundo pode lhe trazer. Coisas que um dia foram importantes, status, roupa nova, o que os outros pensam, cargo, carreira multinacional, política interna, viraram fumaça. Foram todos, devidamente e ao seu tempo, mandados às favas. E agora cozinhamos, colocamos a Sara numa escola municipal, alugamos um apartamento bem barato, vivemos com o que temos e nos viramos.

Você pode acenar com um emprego dos sonhos na minha frente – como me fizeram há uns 15 dias – e eu irei agradecer a lembrança, mas “não, obrigada”.

Eu também não preciso mais trabalhar. Trabalho porque quero.

E essa, me parece, é a revolução para que a maior parte das nossas empresas – conservadoras, tradicionalistas, familiares, “de valores” – não está nada preparada. Arrisco-me a dizer que todas as empresas que têm 20 anos ou mais serão varridas pelo este vento quente de mudança que vem por aí.

Ninguém se interessará em trabalhar para elas. Porque, simplesmente, ninguém precisará.

Ando pelas empresas, converso com os colegas, e escuto todo o tipo de barbaridades. Gerentes causando depressão, líderes tirando sarro de subordinados, colegas saindo aos socos de reuniões de trabalho, mas nem precisamos ir tão longe.

Temos o famoso caso da alfinetada em público. Aquele comentário razoavelmente inocente, que passa inócuo aos ouvidos de todos os demais presentes, mas que revive uma ferida que apenas o emissor e o receptor podem ver. Aquela pergunta, simples, que serve apenas para continuar mantendo o padrão “eu mando, você obedece”.

Eu lhe pergunto, caro gestor, querida gestora: na hora em que ninguém mais precisar trabalhar, qual tática usará para evitar ver o dedo do meio numa hora dessas?

As pessoas se preocupam porque a tecnologia lhes tirará os empregos, e porque os robôs os substituirão nas linhas de produção.

AINDA BEM!

Robôs fazem o trabalho maçante e são incrivelmente surdos para a montanha de bobagens que líderes despreparados, egoístas, malconduzidos, falsos e mimados podem formular verbalmente.

Enquanto isso, eu antevejo o problema justamente oposto para as empresas.

Conforme as mentes mais criativas, mais inteligentes, mais preparadas começam a questionar a sua posição na ladeira corporativa, elas também se livram da necessidade do trabalho. Falamos hoje sobre trabalhar por propósito, e que isso seria o ideal – pois bem, no futuro isso será a norma.

E aí, caro gestor, querida gestora: o que você irá oferecer, além da cenoura e do chicote, para trazer um profissional de criação? Uma pessoa que manja das mídias sociais? Aquela galera que tem cancha em entender o usuário?

Eu lhe pergunto: será que esse povo ainda trabalha para você? Tipo, hoje?

E, no futuro?

O que você fará quando ninguém mais precisar trabalhar?

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2 comentários sobre “O QUE VOCÊ FARÁ QUANDO NINGUÉM MAIS PRECISAR TRABALHAR?

  1. Que alegria receber este texto. Espero chegar até essa época onde as pessoas trabalharão por prazer e não por necessidade. Abraços

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